Publicado por: mirnacavalcanti | 28 de setembro de 2014

Gorki e eu… o albatroz


albatroz

“Frente à voragem da tormenta, a fé é a luz que à alma alimenta”      MC

                                                                                     

Fim de tarde.

Estava ela a olhar o mar através da vidraça.

Nuvens escuras cobriam o céu e no horizonte, mesclavam-se ao mar… A tempestade se aproximava lentamente majestosa… trovões ribombavam, relâmpagos riscavam os céus … o mar encapelado,  em profundo verde esmeralda, na rebentação  se quebrava em  incontáveis gotículas  que reluziam como cristais resplandecentes…   Entre a furiosa água e o espaço, gaivotas, contudo,  planavam tranquilas, indiferentes à tormenta…                            

Ventos fortes faziam os galhos  das árvores vergar em movimentos  de ritmo alucinado, lembrando danças macabras e impiedosamente quebravam  alguns de seus galhos mais fracos…

Sua vida estava assim… fustigada por tristezas, problemas que lhe fugiam ao alcance resolver. Logo ela, decidida, firme, ativa em busca de soluções e, por temperamento e profissão: JUSTIÇA… Sentia-se, nesta fase de sua vida, impotente… 

Foi quando lembrou-se da “Canção do Albatroz”, de Gorki, que lera ainda adolescente …

Olhou novamente para o céu e viu  nele abrir-se uma clareira: a luz do Sol rasgava como afiadas lanças flamejantes as densas formações de nuvens, espantando a escuridão à volta…  luz de âmbar reluzente tingia as bordas do céu...

Com aquela imagem gravada na alma, fechou os olhos e orou… Quando os abriu, veio-lhe o pensamento: ‘como as gaivotas… seria como as gaivotas’!… Depois, veio-lhe a certeza: ” não ‘como’ as plácidas gaivotas’… Há que ousar na vida, desafiar a natureza e seus elementos… teria que ser ‘como’ o ‘albatroz de Gorki’: gritar com o vento, sua voz elevar-se mais alto! Desafiar a  tempestade, enfrentar o caos, as borrascas com seus trovões e relâmpagos! Lacerar nuvens e ventos para lançar-se, destemida e segura, em direção à luz…”

Certamente não poderia ‘mudar as pessoas’, mas há que, em meio à borrasca, melhorar o seu mundo!

Vestiu a capa, calçou as botas e saiu para caminhar… A chuva fria lhe trouxe a energia que buscava. Sentiu PAZ!

Mirna Cavalcanti de Albuquerque

Rio de Janeiro, 27 de Agosto de 2014.

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Responses

  1. Obrigada,muito bonito!

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    >

    • NAda a agradecer-me, amigo ANTHUNES,,, Escrevo para compartilhar idéias e sentiomentos com os que a mim se assemelham…

      Que esta semana te proporcione muita alegria!


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