Publicado por: mirnacavalcanti | 29 de agosto de 2013

SCHUMANN, sua Arabesque e a alma


                                                                                                                        mirna5

A música tem sido minha companheira desde a mais tenra idade; aliás, já escrevi a respeito, algo que fará parte da minha biografia.             São tantos os afazeres, os objetivos, as buscas a documentos, registros, etc. que, se não me policio, poderia passar as 24 horas do dia isto fazendo. Há a premente urgência (pleonástico mesmo...) de realizar o que me propus e o tempo cada vez é menor…

Voltei há já uns meses, ao que jamais deveria ter deixado: o estudo do piano. Passo a maior parte do dia entre o escrever e o exercitar-me com o objetivo de recuperar a técnica que perdi… Não me importa se terei sucesso ou não – sinto-me feliz em tentar fazê-lo. É um verdadeiro desafio a esta altura da vida …

Ao abrir as partituras, já envelhecidas pelo tempo, passo a lembrar de todos os momentos vividos: desde quando passei a ter aulas com Milton Figueira de Lemos, meu amigo e mestre, até os exames  sempre prestadas frente a três professores de escol e exigentes… Assim,  as mãos gelavam, os nervos à flor da pele…  Ah! E o querido STIEFEL(*) a encorajar-nos… Depois, as apresentações em público, os concursos… Estava, sim a preparar-me para ser pianista.

Tinha um mestre a orientar-me e tocava bem, muito bem  mesmo e buscava mais e mais aprimorar-me.

Lembranças boas, saudade com gosto  de … SAUDADE! …

Há dois dias, coloquei sobre a estante do piano a partitura da Arabesque,  de Schumann – peça esta, aliás – que me levou a obter o 2º lugar em um concurso de piano em Porto Alegre… É belíssima e, à primeira vista, parece  de fácil execução, mas não o é,  pois exige uma interpretação  sublime.  Para  os que não estão familiarizados com a música erudita,  e venham a ter uma idéia sobre o que me refiro, peço-lhes acessem   http://www.youtube.com/watch?v=CHsi-TdUr38.  

É gravação datada de provavelmente 1960 ou  61, em Paris. A magistral interpretação de WILHEM KEMPF, que nos deixou em 1991, suplanta às de todos os demais grandes pianistas, como Horowitz, sobre a qual escrevi o que abaixo transcrevo.

Sem tirar o mérito de Horowitz (entre os melhores de todos os tempos) os que quiserem comparar os dois ‘toques’… O de HOROWITZ com o de KEMPF (no meu sentir, o deste  é tanto mais suave, quanto sua mão esquerda, no segundo movimento, chega a ser marcial, vigorosa, enérgica, enquanto a direita, principalmente no último movimento – e em harmonia com a esquerda – revela um toque de suavidade tal – mesmo nos graves, que a alma parece voltar ao seio do Eterno…

(**) Escrevera:

“ Ouçam-na com a alma, e sentirão a maravilha que pode ser feita – quando há genialidade, com apenas sete notas musicais… ‘GENIALIDADE’ tanto do compositor, quanto do intérprete, pois cabe a este tentar reproduzir o que pretendia o seu autor; difícil e quase impossível isso… pois há que alcançar-se o etéreo com a sensibilidade e a técnica  em harmoniosa sintonia.

Cada intérprete tem sua própria forma de sentir. Tanto assim é que, ouvindo-se a mesma peça musical, encontram-se diversas e diferentes variações, quantos forem seus intérpretes… pois as almas se assemelham, mas não são iguais… e a música é a expressão mais elevada da alma, vez que nos eleva à eternidade. 

Penso mesmo que esta se conecta ao Criador : “ALMA das almas” e, de esferas outras rebrotam, novamente, pelas mãos do intérprete, o som pretendido pelo compositor…

No entanto, cabe ao ouvinte sensível, ‘receber’ essa mensagem da maior de todas as artes, pois prescinde de palavras…”

E mais escrevera adiante:

Esses sons graves, os pianíssimos, os ‘crescendo’ os ‘diminuendo’ … as duas mãos ‘dialogando’… A expressão da alma elevada, pura, ora apaixonada, ora apascentada, calma … ah! A música reaviva sentimentos adormecidos, dá VIDA à vida… ‘forma aos sonhos’ e eleva a esperança aos Céus! E fica-se com os anjos… e Deus!… (***)

Que esses sons lhes façam sonhar como o fazem comigo!

Mirna Cavalcanti de albuquerque                                                                                                                                                                                                           Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2014

(**) https://www.facebook.com/mirna.c.dealbuquerque

(***)  http://www.youtube.com/watch?v=BO-p8YKfSD4

(*) Esse querido homem, alma pura, ser sofrido, foi amigo de TODOS os estudantes de Porto Alegre (RS); merece um capítulo especial, pelo que representou em nossas vidas: ADOLF  STIEFEL

 

NOTA: Para que tenham uma pálida idéia do ser de luz que foi ADOLF STIEFEL, posto comentário feito por VARGASm ex-colega de faculdade, em artigo escrito em 2008, no saudoso BrasilWiki (http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=4136)

“Mirna , tu te lembras do Stiefel – Adolf Stiefel , do Belas Artes ? Lembras como ele era amado por todos os universitários de POA ? Pois é … sabes que quando ele morreu , já velhinho , seu caixão foi carregado por estudantes de várias gerações até o cemitério ?…Tendo perdido toda a família nos campos de concentração , fez de nós todos seus filhos… sua morte foi muito sentida , pois ele era amado por todos . ele soube ‘plantar para colher’ – e o fez só por amor . Esta estória verdadeira que postaste , muito me lembrou do velho Stiefel”…

  

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Responses

  1. Tocar não somente com os dedos mas com tudo o que se tem de dentro para fora …cada nota e respirada e tocada como falasses ao piano e tu…entre dois elevados momentos vivenciados participando do sublime da composição e tu …entrando no Todo …Magistral e a palavra …
    obrigado Mirna por este momento…abraço e admiro …@nn@

    • Muito querida ANNA,

      Os dedos das mãos devem estar exercitados – e ser exercitados TODOS os dias para que possam seguir as orientações do cérebro e, principalmente, os sentimentos que emanam da alma…

      SIM! A música – a Divina Música, pode elevarnos – e levar-nos, quando ainda cá na Terra, ao TODO ao qual pertencemos…

      Nunca precisas agradecer-me ANNA… Nada faço, apenas escrevo o que sinto e compartilho…

      AbçGrde,
      Sempre com carinho,

      Mirna.


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