Publicado por: mirnacavalcanti | 26 de dezembro de 2012

Natal Brasileiro____ desenhos e narrativa de DEBRET


Amigos leitores,

FELIZ NATAL! 

Acabo de ler e-mail enviado por meu querido amigo, Wilson Mamedes Leobaldo. Este, sempre apreciador das artes em geral, brindou-me com a matéria-título deste artigo. Por preciosa, eu a compartilho agora, pois a desconhecia e, penso que possivelmente possa ocorrer o mesmo com respeito a muitos de vocês.

Portanto, deliciem-se com esta Viagem Históric0-pictórica  ao Brasil do século XIX , desenhada e narrada, há mais de 150 anos,  por Jean Baptiste Debret.

Fraternalmente,                                                                                                                                                                                                                      

Mirna Cavalcanti de Albuquerque                                                                                                                                                                                       Rio de  Janeiro, 25 de Dezembro, de 2012

 

NOTA

amigos leitores

Hoje, ao acessar a página desta matéria, contatei que, por falha minha, as gravuras haviam ‘desaparecido’. Assim, procurei no GOOGLE e encontrei a matéria no site    http://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/natal-1.html  , a qual copio abaixo, para que possam lê-la. Desconheço quem a tenha redigido.

Mirna Cavalcanti de Albuquerque.

 

debret.natal

Esta gravura no livro de Debret foi intitulada “Mulata a caminho do sítio para as festas de natal”.

 

Nesta parte do texto, Debret descreve a gravura acima

Em algumas partes Debret foi extremamente crítico e usou de linguagem imprópria para os tempos atuais. Tentei reduzir algum termo agressivo sem mudar o sentido da descrição.

“A senhora mulata representada aqui é da classe dos artífices abastados. Sua filhinha abre a marcha conduzindo pela mão um menino negro, a seu serviço particular; vem em seguida a pesada mulata, em lindo traje de viagem, que se dirige a pé para o sítio situado num dos arrabaldes da cidade.

A senhora mulata possui uma criada de quarto, uma mulher negra, que a acompanha carregando o pássaro predíleto. Logo depois a primeira mulher negra de serviço, com o gongã, cesto em que se coloca a roupa branca. A terceira mulher negra carrega o leito da senhora, um elegante travesseiro enrolado numa esteira de Angola, (bastante bem imitada na Baía). A quarta, é uma encarregada de trabalhos considerados menos nobres, uma lavadeira quase sempre grávida, que carrega os pertences das outras companheiras; e a moça negra mais nova acompanha humildemente o cortejo, carregando a provisão de café torrado e a coberta de algodão com que se envolve à noite para dormir.”

Festejos de Natal na Primeira Metado do Século 19 no Brasil

O texto  de Debret fala sobre os costumes durante os festejos e feriados de natal naquela época e também descreve a prancha acima, de sua autoria. Na verdade, ele relata o que observou durante sua permanência no Brasil, descrevendo não somente a época de natal, mas também pinta um retrato escrito da sociedade brasileira naquele tempo.

Deve-se lembrar que o texto foi escrito pelo autor no início do século 19, descrevendo uma época onde ainda existia a escravatura, e algumas partes podem estar em linguagem politicamente incorreta. As partes entre aspas constituem o texto original.

Nesta parte do texto, um retrato da sociedade

“As festas do Natal e da Páscoa, sempre favorecidas no Brasil por um tempo magnífico, constituem épocas de divertimentos tanto mais generalizados quanto provocam mais de uma semana de interrupção no trabalho das administrações e nos negócios do comércio; o descanso é igualmente aproveitado pela classe média e pela classe alta, isto é, a dos diretores de repartições e dos ricos negociantes, todos proprietários rurais e interessados, portanto, em fazer essa excursão em visita às suas usinas de açúcar ou plantações de café a sete ou oito léguas da capital.

Quanto aos artífices, reunidos na casa de seus parentes ou amigos, proprietários de sítios vizinhos da cidade, aproveitam essas festas para gozar em liberdade os prazeres que essas curtas e pouco dispendiosas excursões lhes permitem. Basta-lhes com efeito mandar levar sua esteira e sua roupa pelo seu escravo. À noite, à hora de dormir, as esteiras desenroladas no chão, cada qual com seu pequeno travesseiro, formam leitos de emergência distribuídos pelas três ou quatro salas do rés-do-chão, que constituem uma residência desse tipo. No dia seguinte, ao romper do dia, ergue-se o acampamento e os mais ativos se separam para ir passear ou banhar-se nos pequenos rios que descem das montanhas vizinhas. O exercício da manhã abre o apetite; volta-se para almoçar, mas inventam-se divertimentos mais tranquilos para o momento do sol forte até uma hora da tarde quando se janta. De quatro às sete dorme-se e, depois da Ave-Maria dança-se durante toda a noite ao som do violão. Deliciosos momentos de fresca, empregados pelos velhos na narrativa de suas aventuras do passado e pelos moços em dar origem a alguns episódios felizes, cuja recordação encantará um dia a sua velhice.

Este ligeiro esboço dá entretanto apenas uma pobre ideia das brilhantes recepções realizadas na mesma época nas imensas propriedades dos ricos que, por vaidade, reúnem numerosa sociedade, tendo o cuidado de convidar poetas sempre dispostos a improvisar lindas quadrinhas e músicos encarregados de deleitar as senhoras com suas modinhazinhas. Os donos da casa também escolhem, por sua vez, alguns amigos distintos, conselheiros acatados do proprietário na exploração da fazenda que visitam demoradamente com ele, ao passo que, ao contrário, os jovens convidados, ágeis e turbulentos, entregam-se a essa louca alegria sempre tolerada no interior. Aí todos os dias começam, para os homens, com uma caçada, uma pescaria ou um passeio a cavalo; as mulheres ocupam-se de sua toilette para o almoço das dez horas. À uma hora todos se reúnem e se põem à mesa; depois de saborear, durante quatro a cinco horas, com vinhos do Porto, Madeira ou Tenerife, as diferentes espécies de aves, caça, peixes e répteis da região, passam aos vinhos mais finos da Europa. Então o champanha estimula o poeta, anima o músico, e os prazeres da mesa confundem-se com os do espírito, através do perfume do café e dos licores. A reunião prossegue em torno das mesas de jogo; à meia noite serve-se o chá, depois do qual cada um se retira para o seu aposento, onde não é raro deparar com móveis, perfeitamente conservados, de fins do século de Luiz XIV.

No dia seguinte, para variar, vai-se visitar um amigo numa propriedade mais afastada; tais cortesias aumentam ainda os prazeres dessa semana que sempre parece curta demais. Alguns amigos íntimos, que dispõem de seu tempo, ficam com a dona da casa, cuja estada se prolonga durante mais seis semanas ainda, em geral, depois do que todos tornam a encontrar-se na cidade.”

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