Publicado por: mirnacavalcanti | 8 de outubro de 2012

Amados ausentes


Fim de tarde.  A água parecia translúcida gema preciosa,  liquefeita alquimia em diversas tonalidades, matizes exóticos … Azul-turquesa… O Sol já apresentava aquele dourado envelhecido e belo. Pouco a pouco, na linha do horizonte-mar, sua luminosidade se ia diluindo…

Ela caminhava sobre a areia molhada e deixava efêmeras marcas das passadas que, no seu fluxo-refluxo, ondas caprichosas iam apagando, apagando… Assim como também desaparecemos todos com o inexorável perpassar do tempo e, de nós, ficam apenas nossas obras…

 

Seus olhos liam a pictórica paisagem. Avistou,  mais acima, um coqueiral extenso, com belas redes brancas. Gostava de ali deitar-se.

Seu andar agora era bem mais lento, pois a areia seca e fofa não lhe permitia ir com mais pressa – mesmo porque, não havia razão alguma para isso… queria aproveitar ao máximo o torpor da beleza que totalmente a envolvia. 

Ao lá chegar, escolheu uma rede que estava mais isolada das demais e nela deitou-se confortável com seus pensamentos, a olhar o azul do céu engalanado com algodão. As nuvens eram movidas por Éolo vagarosamente, às vezes formando imagens que lhe remetiam a suaves passagens da infância em Porto Alegre… Quantas e quão doces lembranças!

Agora, na Bahia, sentia saudades de tudo e de todos a quem amara e que, por sua vez, a ela dedicaram seu mais profundo e amoroso afeto. Não são ’passado’, como querem – ou imaginam muitos:  fazem parte de sua vida. Tornaram-na quem hoje é.  São referências inesquecíveis e fundamentais, que guarda com carinho na memória da alma.

Neste enlevado estado de espírito, os sentimentos se sucediam variados, incessantes… mas fugidios… eram muitos, tantos… incontáveis mesmo…                                                                  

A saudade fez-se presente e trouxe consigo seus amados ausentes. Todos estavam ali, naquele hora, com ela. Luziram-lhe os olhos naquele momento – único em si mesmo.

E em incontida alegria, tudo, uma vez mais revivia!… “Como sou feliz por saudades poder sentir“, pensou…

 

Enquanto assim pensava e inundada por alegria, as folhas dos altos coqueiros, como leques em movimento, em seu peculiar ritmo, dançavam  danças antigas ao ritmo do vento… Tocavam-se, afagavam-se umas às outras com a sensualidade característica da natureza dos seres com vida… Som de sonhos, de sua história nesta Terra, alento…

 

Quanta paz naquele fim de dia… Fechou os olhos e deixou-se estar assim… O céu acima, a suave brisa, o mar sem fim …

E,  junto a si, novamente com o carinho do sempiterno bem-querer, os amigos, seus amores…

 

 

Mirna Cavalcanti de Albuquerque                                                                                                                  Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2012

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