Publicado por: mirnacavalcanti | 22 de outubro de 2011

Lanço flores pelo Caminho


                                                                                                                                                                                          

Como é transitória e fugaz a aparente solidez humana!

Como é transitória e fugaz a aparente solidez humana!

Caminho tranqüila pelos campos. Há flores sob meus pés. Tento não machucá-las. Brotaram e floriram, alegremente variegadas. A perder de vista, ondulam em cores de arco-íris na suave aragem da manhã. Vou devagar. Quero apreciar a natureza à minha volta em toda a serena beleza que ostenta em sua manhã  outonal.

Já se faz longa a caminhada, mas cansaço algum sinto, tal é a magia arrebatadora que a cada olhar me encanta.

A cada volta do caminho vejo pássaros voltando aos ninhos para alimentar seus pequeninos.

A cada volta do caminho, penso em possibilidades de surpresas, presentes da Mãe Natureza, para todos os seres
que com ela comungam.

Borboletas de todas as cores voam de flor em flor, desconhecendo sua tão breve existência. A relva macia amortece-me os passos, que seguem o ritmo da brisa … às vezes compassado, mas contra-ponto nada ritmado, pois se belo o local, as passadas mais lentas se tornam, para que possa eu sorver calmamente o ar com o cheiro ainda de frescor do sereno que sobre o verde brilha em luminosas gotículas diamantadas…

As sombras de árvores frondosas refletem-se sobre o verde esmeralda do tapete, verde tapete tão verde… E seus galhos, tangidos pelo vento, assemelham-se a bailarinas, em conjunto, harmoniosamente a dançar…

Quantas imagens… mensagens inesquecíveis voltam-me à mente… e tão subitamente que parecem sonhos que já sonhei, vidas que já vivi, amores que já amei…

Sopra galerno(*) o vento. Lembra a mansidão de um canto de ninar … mas embala, no entanto, meu suave caminhar.

Pensei… “lançarei sementes à terra na primavera e este campo, no tempo certo, novamente, todo florido estará…

Colherei rosas sem importar-me com os espinhos… Podem machucar, a pele perfurar e o sangue verter escarlate…
Mas quero das rosas sua beleza e olor, que a tudo o mais rebate e suas radiosas cores fazem-me esquecer da dor“.
 
Olho o campo multicolorido e diviso à distância uma silhueta que me parece familiar… No entanto, não lhe vejo o rosto… Mas está a acenar e sinto que a sorrir-me…

Será?Terá chegado a hora de não mais sementes à esta Terra lançar, para lançá-las em em outro espaço, em outro lugar?

………

A vida toda tenho semeado flores pelo Caminho… Se assim for, semearei em Solo ainda desconhecivo, mas sempre … Sempre semearei flores, muitas flores  pelo Caminho!

 

 

(*) sereno, calmo, tranqüilo

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