Publicado por: mirnacavalcanti | 15 de janeiro de 2011

“Eu, por mim mesma”


 

"A mente filosófica necessita mergulhar em si mesma e projetar-se no Universo para alcançar o próprio Conhecimento".MC

"A mente filosófica necessita mergulhar em si mesma e projetar-se no Universo para alcançar o próprio Conhecimento".MC

                                                                                                

Já se faz tarde. Nuvens toldam a Lua que no céu flutua entre as estrelas tremeluzindo na eternidade.

Penso que breve o manto azul noite cobrirá meu corpo físico e minha alma liberta, voará livre qual libélula, enquanto sonho todos os sonhos que tenho sonhado.                                                                                                       

É a história da minha vida, mesmo antes da concepção. Do desenvolvimento  no ventre de minha mãe até o nascimento e o crescimento de meu ser e seu respectivo amadurecimento – sempre em ascensão, sempre na solidão enriquecedora e inquiridora de meu eu interior: na vida me movimento – por vezes, escolho o caminho, por outras, levada sou ao sabor do vento.                                                                              

Muito tenho pensado e lido à procura de respostas.  Pessoas como eu, dificilmente encontram quem as compreendam. Carecem os demais do fundamental entendimento para adentrar universos diversos  aos seus- pois são os que lhes servem de referência.                  

Por via de conseqüência, fui construindo aos poucos Meu Mundo e nele vivo em paralelo com o dos demais seres, mas sinto-me como se estivesse eu em dimensão outra e, na verdade, estou .

Quanto mais o tempo passava (e passa) fui crescendo  sem a compreensão da maioria dos que me cercavam, à exclusão de umas poucas criaturas, que têm diminuido em número, pois nosso tempo nesta Terra é incerto e limitado.                                                    

Constato agora, já com alguma compreensão (que não deixa de ser dolorosa): quando ocorre a morte de uma delas, leva consigo uma parte de quem sou e instaura-se em meu ser um vácuo que jamais será preenchido por outrém.

Vivo em dois mundos.                                                                                                                                                                                                Um, o dos demais, ao qual pareço estar adaptada. Tento melhorá-lo com meus escritos, trabalhos e forma de agir. No entanto, tudo indica não esteja a obter sucesso, pois sinto que a poucos alcanço. Portanto, neste aspecto,  não posso considerar estar atingindo meus objetivos.

O outro mundo, o que tenho erigido, posso dizer o em  que me sinto feliz. Minha solitude  é sempre cada vez mais enriquecida pela incessante busca  que tem sido minha vida. Este Mundo corre paralelo ao outro. Podem ser geometricamente considerados, como paralelos: não se encontrarão; não nesta  dimensão.  

Essa solitude  é esclarecedora  e abrangente de tudo o que fui – e tenho sido  para chegar a quem sou agora:    intrinsecamente uma diferente espécie de essência física mutante, em contínuo aperfeiçoamento – tem sido meu alter ego, minha companhia constante.                                                                                                                              Escapa-me ao conhecimento a razão de eu ser assim.                                

Minha vida parece a mim, ter sido projetada  e estar sendo dirigida por mãos invisíveis.  Sou fruto dos ensinamentos de mestres que muito me amaram e meu Caminho, com sua sapiência iluminaram.        Tudo deles absorvia,  sem conhecimento, todavia de seu objetivo… sua razão, com que fito…

Meu ser foi armazenando informações, enriquecendo-me ao complementar-me e, naturalmente,  cada vez mais me distanciando dos que pensava- deveriam ser meus semelhantes…                                                                            Fui notando o alargamento das diferenças e dessas cada vez mais tive e vou tendo consciência dessas disparidades.                                                                                                                                                                                                                       Poucas são as criaturas que sentem a importância máxima-ontológica da existência, de SER, da busca interminável, da necessidade das descobertas, da integração ao todo que nos envolve e do qual fazemos parte…  A maioria sequer  percebe.

Sinto-me linha paralela, não convergente. Como se estivesse a aguardar para intervir com o objetivo de ajudá-los em sua evolução.  Todavia, é normal ao gênero humano, não aceitar aconselhamento, muito menos admitir   intervenção. Imaginam tudo saberem quando, realmente os que pensam que sabem, têm consciência apenas de que há muito por aprender – e é nessa consciência  que se fundamenta a diferença à qual me referi supra.                                                                                                                                                                                                  Mesmo assim, insisto o quanto possível- por vezes até em demasia (reconheço):  se tanto tenho aprendido, apreendido (e pouco ou nada ainda sei),   pode ser esta a Minha Missão: orientar, esclarecer, transmitir o conhecimento acumulado durante o tempo que tenho cá estado.  Sei que é pouco, mas se comparado ao que sabe a maioria, é incomparável aos que a ela pertencem, poderiam um dia ter sonhado. 

Não deixo de agradecer a Deus por aqueles Seres de Luz que tudo me deram: amizade, carinho, ternura, amor, dedicação incondicional e a mim dedicaram grande parte de suas vidas, pois me consideravam única, especial.

Eu não sabia então que era. Até hoje mesmo, certeza não tenho. Apenas sinto ser diferente: pensamentos, sentimentos, objetivos,  formas de sentir, pensar e agir, não são como os de grande parte dos meus semelhantes. Sei: a criatura que sou me conecta- mas ao mesmo tempo,  me afasta de quase toda a gente. Uns muito gostam de mim. Sem receio algum, posso escrever: amam-me. Outros, provavelmente os que não se encontram na mesma escala evolutiva que eu: detestam-me e, talvez mesmo me odeiem – sem que eu lhes tenha feito mal algum, diga-se. Ressalto, por importante: ódio, jamais senti: não sei o que seja.

Penso, mas ainda não pude chegar a conclusão alguma. Em festas, jantares, reuniões de toda a espécie, sou uma pessoa conhecida como a que faz sucesso: popular, alegre, conversas interessantes sobre diversos assuntos com uma gama de diversidade para todos os gostos. Enfim: uma companhia agradável, que todos gostariam de ter sempre por perto. 

Excêntrica? Só por ser autêntica? Por bem cedo afastar-me  do rebanho, não sentir-me bem ao ser tangida? Por procurar caminhos que outros não passavam- talvez tivesse eu sido a primeira (nem sei se alguns conseguiriam) pois perto dos vários umbrais, os que, por ventura me seguiam, emudeciam e paravam.

Só eu prosseguia e dificilmente outro alguém encontrava. Só meu eu interior me acompanhava. Somos como ponto e contraponto. Prelúdio e Fuga. Beethoven e Bach, som e pausa, melodia e silêncio: opostos que se complementam para formar quem hoje sou… e ainda estou em formação.Não me sinto terminada.

Dos Mestres todos, muitos ensinamentos recebi – e ainda de alguns recebo … Vou-os absorvendo pouco a pouco, mas ainda careço das condições todas para poder entendê-los completamente.                                     Havia – e há que amadurecerem e a mim se integrarem  ou quem sabe: reintegrarem. E isso – essa absorção – não há como mensurar pelo tempo que aqui conhecemos.

Cada dia que passa, uma revelação vem-me à mente. Pequenas descobertas: grandes conclusões… 

Algo há de superior em tudo isso, mas não sei o que possa ser ou em que vai dar… É para meu bem, sinto.

Mas saber? Muito provavelmente só venha a sabê-lo quando o Portal Final atravessar. 

Mirna Cavalcanti de Albuquerque

Rio de Janeiro, 15 de Janeiro de 2011 

 


Responses

  1. Voce na fota ta muito bonita p mim palavras bonitas q fazem pensar, portal final é a morte? quando morremos nao termina a vida, sei là? nunca morri p saber, sei q a vida é continuaçao pra tudo, vai se reciclando com o passar d tempo ou reciclagem instantanea.

  2. Olá amiga Mirna ! Tudo bem?

    Mirna : Na minha brutal ignorancia,analisando o que li no seu texto,imagino que:Mesmo que estejas sozinha,não conseques mais ficar só!.O seu grau de tranquilidade interior, é tão grande que não lhe permite separa-la de vc mesma.Queria ter este controle e conhecimento que vc tem.

    Te invejo no bom sentido!

    Parabens e um abraço do Anderley.
    Fiz um esforço muito grande para tentar conhece-la um pouco mais ,pelo que escreves!

    • Amigo ANDERLEY:
      A solidão à qual me refiro é diferente.É mais tristeza por ver q a maioria não me pode entender. Comigo é tudo diferente: sinto-me bem em minha companhia. Vivo vem em meio a pessoas boas,mas mesmo boas, poucas me entendem. Então escrevo o que sinto. Luto pelo bom Direito, por causas justas, faço o bem a todos os que encontro. Luto contra as maldades perpetradas por quem quer que seja- desde que esteja a meu alcance fazê-lo.
      Nada temo, nem a ninguém receio – a não ser à minha própria consciência. Exijo de mim o máximo sempre. Cobro de mim mesma ações e sou implacável comigo. Dura mesmo. Tento dar sempre o que de melhor em mim existe .

      Travo terriveis batalhas comigo e contra os iníquos e suas ações.
      COMIGO, pois estou sempre a exigir cada vez mais e mais de mim… às vezes, é impossível dar mais de mim – mas eu acho que posso dar mais e mais – e vou TENTANDO CHEGAR AO MÁXIMO- quando não chego, entristeço-me.
      QUANTO AOS DEMAIS:crápulas, desonestos, de qualquer espécie, têm em mim uma incansável lutadora. Mas luto sempre de forma honesta,franca, objetiva e faço tudo dentro da integridade moral para vencê-los. O MAL NÃO DEVE VENCER QUANDO SE TEM DEUS A ABENÇOAR-NOS;

      Também eu gostaria de conhecer-te pessoalmente, meu amigo!Quem sabe um dia? moramos no mesmo país!

      Enquanto isso lendo o que escrevo, podes estar certo de que tudo o que escrevo reflete quem eu sou.

      Um grande abraço,

      Luz e Paz para ti!
      Mirna.

  3. Amiga Mirna:Eu disse antes que era ignorante ! Portanto sei o que sou !.Mesmo assim, gosto de “desafios” quanto mais difíceis melhor, para tentar decifra-los. Moramos muito perto, e apenas um passeio de barca, nos separa.Mas:Não quero conhece-la pessoalmente ! Explico: Vou me apaixonar,e para mim não é bom! KKKKKKKKKKKKKK!

    Um abraço fraterno do Anderley.
    Este é o carinho que posso lhe dar

  4. Amigo Anderley!

    A amizade é um dos mais lindos sentimentos.
    Não te assustes, pois este fraterno conhecer é o que de melhor se pode esperar de um semelhante.

    Conheço muitíssimas pessoas, mas amigos tenho pouquíssimos. Creio mesmo que posso contá-los nos dedos de uma só mão.

    Para mim, são como irmãos. De uma forma geral, é assim que vejo meus semelhantes.

    Este fraterno abraço que me envias,
    eu o retribuo com o mesmo carinho.

    Mirna

    PS – Mostraste ter excelente senso de humor com a história de “apaixonar” . Conseguir ter senso de humor é uma excelente qualidade para uma vida feliz!

    Excelente domingo para ti!

  5. Oi querida. Surpreso com voce. Quando voce vai confessar de que planeta veio??


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