Publicado por: mirnacavalcanti | 19 de junho de 2010

Saramago partiu. Seu legado pertence à Humanidade


Este artigo versa  sobre  a partida de uma – se não a maior figura da Literatura contemporânea não só Portuguesa, como Mundial. Só os que têm inteligência muito acima da média estão aptos a entender a complexidade da obra de Saramago, pois engloba Filosofia, Filologia, História, Teologia, Humanismo, Geografia, Sociologia Direito e outras tantas Ciências que formam o conjunto de conhecimentos  que se pode intitular “Cultura”.

Acima e além, para realmente compreender de Saramago a essência do escrever, é imprescindível mentes abertas, livres, sem apegos a tradicionalismos engessados quaisquer que sejam.  Interessante é notar que, mesmo quando tal não ocorra, alguns compram seus livros, apenas para ‘parecer Intelectuais’ .

Todavia, alegro-me em poder asserir que são muitíssimos seus leitores: o que comprova haver neste mundo  criaturas  que pertencem à classe dos verdadeiros intelectuais humanistas.

 

Morre o maior escritor da lingua portuguesa da atualidade

A notícia da partida  de José Saramago foi divulgada pelo orbe.  A sociedade mundial, a  Literatura Portuguesa, os seres oprimidos, as minorias desprezadas de todo o mundo carecerão  certamente, de sua presença física: criatura especial, cuja ausência já está a ser sentida, pois fará falta sua inteligência aguçada, sua perspicácia, sua crítica objetiva, concreta e perpendicular sobre os assuntos vários mais importantes para os habitantes deste planeta. Contudo, sendo o Homem sua obra, como alguém expressou-se corretamente, estará ele conosco, redivivo em todos os seus escritos.

Não tenho pretensão alguma de escrever senão um registro sincero de minha despedida triste neste último ato da história de sua vida.

Tive a felicidade de conhecê-lo e poder haurir muito de seu modo distinto de pensar e discorrer sob aspectos vários de fatos que à maioria, passariam desapercebidos.
Todos temos um tempo de estada nesta Terra. Uns vivem mais, outros menos. Uns já ao nascer, deixam-na; outros o fazem, quase beirando – ou ultrapassando mesmo um século de existência.
Acaciano (não procuro originalidade): temos todos um só destino: morrer, 
 que é a única certeza da vida.  
Daqui nada levamos de material, por mais ricos que possamos ser. Lembro: o que se leva, como escrevi alhures , é “o bem que se faz, o amor que se doa, a solidariedade que se desenvolve  e o pão que se divide“. São nossas ações – e o que delas germina, cresce, floresce e frutifica que deixamos ao partir. Nada mais.
Fisicamente considerados, pouco ou nada somos. O material, o tangente, o aparente, não podem ser comparados ao  que de etéreo, mas consistente e essencial  em nós existe e   nos orienta pelos Caminhos da Vida  em  decisões e agires. Este é o diferencial que nos destaca interpares ou, no caso, coloca-nos primus interpares.

A sabedoria latina é o quanto basta para que tenhamos consciência de quem somos e em que nos transformaremos quando chegarmos ao fim do Caminho, pois o Tempo completou  seu Círculo-Ciclo, unindo o Princípio ao Fim – Reinício, conectando-nos  à Eternidade:
Está escrito à entrada – no portal de muitos dos cemitérios da Terra:  “Homem remember:  pulverus est et ad pulverus reverteribus. Revertere ad locum tuum”, ou seja:
:”Homem, lembra-te: do pó vieste e ao pó retornarás.Volta (agora) à tua origem“.

O legado de Saramago é riquíssimo, pois se compõe de vasta e consistente obra, onde transcendem  seu  humanismo, sua visão política, sua real preocupação com a sociedade dos homens, as formas de governo, suas críticas  logicamente encadeadas  com supedâneo no Conhecimento, no Entendimento. E o que acresce-lhe o valor é a maneira instigante através ca qual expõe sua atilada forma de pensar.

A inteligência incomum com a qual foi dotado e sua condição de ateu, fez com que escrevesse sobre assuntos polêmicos – por isso contestados (quase sempre sem sucesso) – principalmente por segmentos mais tradicionais da sociedade e mesmo pela Igreja Católica que, nem por isso, pode deixar de reconhecer seu valor como homem de letras: escritor, romancista,  poeta e pensador de escol, entre outros.

Suas declarações suscitavam e certamente continuarão a suscitar  grandes e profundos debates e, óbvio, a causar celeumas – principalmente alimentadas pelos que só sabem …’obedecer cartilhas‘, carentes q são de pensamentos próprios,.
Penso ter sido este  provávelmente,  seu objetivo: fazer com que as pessoas pensassem livres de estereótipos, ie, de formas semelhantes, (ou idênticas), premoldadas, uniformizadas, rígidas.                                                               Saramago retirou-lhes os  antolhos  e lhes libertou dos conceitos preconcebidos  todos, livrando-lhes das peias, possibilitando-lhes o livre pensar para, a final poder seus leitores concluir por si mesmos, com suas capacidades intrínsecas – e não com as ditadas por verdades ‘absolutas’  que lhes tinham sido anteriormente ensinadas e que, na verdade inexistem.
Sob certo ângulo, conduzia seus leitores de  forma peripatética, como Aristóteles o fazia, na Antiga Grécia, com seus discípulos.
Óbvio está que atingiu seu intento, tantas têm sido as manifestações de tristeza provenientes dos Quadrantes da Terra.

Outrossim, Saramago era um ser humano cuja bondade refletia em suas ações. Salta aos olhos que, inegavelmente, é o maior dentre os escritores atuais da Língua Portuguesa – que sabia utilizar como poucos- caracterizada em sua forma, por conteúdos vários, mas únicos e cujo Portuguê castiço era escrito de maneira escorreita em extensos parágrafos e belos parágrafos.
Adeus, Mestre!
Até Sempre, José Saramago…

Partiste, mas teus escritos aqui permanecerão gravados em tuas obras e nas mentes e almas dos que puderam de ti sorver um pouco de teu Conhecimento. Assim, o que penso tinhas como uma de tuas metas,  persistirá registrado e continuará a surtir os efeitos .

Parodiando Alceu Wamosy, poeta gaúcho, escrevo-te:   
“levas contigo uma saudade minha. Fica comigo uma saudade tua”.
Ser-te-ei  para sempre grata por tudo o que me ensinaste.
Mirna Cavalcanti de Albuquerque Pinto da Cunha

 
(*)v. a respeito:”Os três últimos desejos de Alexandre, o Grande“:
http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=4052
Publicado em Direitos Humanos, Introspecção, JOSÉ SARAMAGO, Justiça Social,Mirna Cavalcanti, POLÍTICA, Pensamento, Portugal, VIDA!, literatura, trasnscendentalidade, Ética, cultura, DIGNIDADE, Eternidade, Literatura, Morte


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