Publicado por: mirnacavalcanti | 28 de março de 2010

Lanço sementes pelo Caminho


Semear para Colher

Existência de Valores Essenciais

Como é insólita a vida!
É transitória e fugaz a aparente solidez humana!

Caminho tranqüila pelos campos.
Há flores sob meus pés.
Tento não machucá-las.
Brotaram e floriram,
alegremente variegadas…

A perder de vista,
ondulam em cores de arco-íris
na suave aragem da manhã.
Vou devagar.
Quero apreciar a natureza
à minha volta
em toda a serena beleza
que ostenta em sua manhã  outonal.

Já se faz longa a caminhada,
mas cansaço algum sinto,
tal é a magia arrebatadora
que a cada olhar me encanta.

A cada volta do caminho
vejo pássaros voltando ao ninho
para alimentar seus pequeninos.

A cada volta do caminho,
penso em possibilidades de surpresas,
presentes da Mãe Natureza,
para todos os seres
que com ela comungam.

Borboletas de todas as cores
voam de flor em flor,
desconhecendo sua
tão breve existência.

A relva macia amortece-me os passos,
que seguem o ritmo da brisa
às vezes compassado,
contra-ponto nada ritmado,
pois se belo o local,
os passos mais lentos se tornam,
para que possa eu sorver calmamente
o ar com o cheiro ainda de frescor
do sereno que sobre o verde brilha
como luminosas gotículas…

As sombras de árvores frondosas
refletem-se sobre o verde esmeralda
do tapete, verde tapete tão verde…
E seus galhos, tangidos pelo vento,
assemelham-se a bailarinas a dançar…

Quantas imagens,
mensagens inesquecíveis,
voltam-me à mente…
e tão subitamente
que parecem
sonhos que já sonhei,
vidas que já vivi,
amores que já amei…

Sopra galerno(*) o vento.
Lembra a mansidão
de um canto de ninar,
… mas embala, no entanto,
meu suave caminhar.

Pensei… lançarei sementes
à terra na primavera…
e este campo, no tempo certo,
novamente, todo florido estará…

Colherei rosas
sem importar-me
com os espinhos…
Podem machucar,
a pele perfurar
e o sangue
verter escarlate,
mas quero das rosas
sua beleza e olor,
que a tudo o mais rebate.
Suas radiosas cores
fazem-me esquecer da dor.
 
Olho o campo multicolorido.
Diviso à distância uma silhueta
que me parece familiar…
no entanto, não lhe vejo o rosto…
mas está a acenar-me 
e sinto que a sorrir-me…

Será?
Terá chegada a hora de
não mais sementes à esta Terra lançar,
para lançá-las em
em outro espaço, em outro lugar?

A vida toda tenho semeado flores pelo Caminho…
Se assim for, semearei em Solo ainda Desconhecido,
mas sempre semearei flores pelo Caminho!

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